Há algumas semanas atrás, eu fiz uma pequena viagem.  Fui verificar um problema em uma das minhas contas bancárias que possuo na Inglaterra, pelo que me constava, determinada quantia em dinheiro havia sumido.

Eu e minha mania de agir por impulso me fizeram esquecer de avisar alguém de que eu estaria lá, e por um instante meu sexto sentido me fez imaginar que havia algo errado. Enviei apenas uma mensagem para Ferdinand avisando que estaria fora por uns três dias, e que qualquer coisa entrava em contato. Marquei um jantar com o gerente do banco, que era meu “amigo”, e me dava uma forcinha para driblar os problemas burocráticos dos bancos em troca de pequenos favores. Segundo ele, uma garota havia convencido um dos atendentes, e se passado por mim para retirar a quantia. Eu já estava sem paciência:

– Eu nunca retiro qualquer quantia no banco pessoalmente. Sempre que necessário acesso a conta e faço as transferências pela internet. Essa pessoa podia se passar por mim para um dos seus funcionários. Mas ninguém tem autorização a acessar minha conta a não ser com sua presença, e como esse alguém teria os meus dados?

-Hey, Sra. Erner. Está querendo dizer que eu…

-Por enquanto não estou querendo dizer nada. Mas, quero questionar seu funcionário pessoalmente amanhã.

A conversa acabou por ali. Voltei ao hotel, e passei o resto da noite e do outro dia pensando no que aquilo significaria. A questão não era o dinheiro e sim quem estava por trás disso. Por um segundo, gelei ao pensar que… Não, não, isso seria impossível.

Poucas horas depois, o gerente do banco me ligou e disse que inesperadamente o dinheiro estava novamente em minha conta. Combinamos de nos encontrar e pensei comigo mesma que certamente estavam me fazendo de palhaça. Queriam me atrair para a Inglaterra e eu mordi a isca, imaginando que resolveria apenas um problema corriqueiro. Senti que algo aconteceria. E eu teria que tirar aquela história a limpo. Mas, no momento, não teria como alguém ir me ajudar. Liguei para Ferdinand, expliquei a situação e pedi se ele liberava a Pepe para fazer uma pequena pesquisa para mim. Não demorou muitas horas para ela entrar em contato comigo e me dar um nome …

“Sophie”.