Acordei aflito naquela noite, passei o dia meio acordado pensando nos crimes que estava investigando e sonhei com velhos conhecidos(as). Será que Claire ainda estava no inferno, por onde andaria a esquentadinha da Julie. Franz, acho estava há uns três meses sem ver ele…

A parte anterior desta história está aqui: https://www.vampir.com.br/o-colecionador-de-cada-um/

Conforme o tempo passa ainda mais para um vampiro, as amizades se restringem cada vez mais ao clã e por falar nele olhei para os pés da minha cama e lá estava Pepe com seu fone de ouvidos. Tocava uma música eletrônica qualquer enquanto ela matava alguns coleguinhas no PVP do LOL.

– Hey, a ansiedade é tanta que resolveu me esperar acoradar?

– Guenta aí que tô de Jungler!

– Tá o que? Ahh esquece, vou tomar um banho…

Reorganizei os pensamentos, deixei no inferno quem precisava e me concentrei no agora. Viver no passado é comum para alguém que pode ir além dos séculos, então se concentrar no presente é o melhor dos exercícios. Coloquei aquela calça jeans surrada, os All Star e uma camiseta qualquer. Por cima dela os coldres, as pistolas estavam revisadas e por cima um casaco novo cheio de bolsos impermeáveis. Nos documentos um free pass da PF.

Moto na pista, deixei Pepe próxima do seu local de investigação e fui atrás da próxima “vítima suspeita”. Bairro cheio de casas e tive de deixar a moto em beco para não assustar os moradores com o escape. Vaguei pelas ruas já vazias das vinte e uma horas e cheguei perto da casa do sujeito.

Lugar bonito e florido, mas como era daquelas germinadas não pude fazer nada fisicamente. Fui para um canto escuro e virei névoa. Adentrei o ambiente e lá estava a família propaganda de margarina. Pai no sofá vendo jornal, mãe num anto no celular e os filhos(as) um em cada quarto. A possível vítima estava dividindo seu tempo entre os celular e um livro e ficou ali por uns 20 min. Quando ficou difícil manter minha névoa, sai rapidamente do lugar e voltei par aminha moto, pois não tinha alfinete naquele palheiro.

Estava prestes a ira ao encontro do(a) último(a), quando Pepe me mandou um áudio:

– Fe, vem pra cá… Acho que encontrei a próxima vítima é o R!

33 minutos depois eu cheguei e la estava Pepe sentada num meio fio…

– Demorou heim!

– Recebi aviso do Detran que vou bater os pontos da carteira!

(rimos)

– E ai o que temos por aqui – Perguntei ansioso.

– O R foi adotado e mora com a mãe. O pai adotivo morreu há uns 3 anos… até aí ok, mas eu chegue perto da casa, dei uma fuçada e quando estava concentrada, algo passou por mim muito rápido e me derrubou. Senti calor ou frio onde encostou em mim, não sei te dizer!

– Estranho… passei por isso tempos atrás com um infernal. Caralho, Pepe! Vai me fazer chamar a Julie?!

– Contínua de tocaia perto desse aqui, vou dar uma olhada rápida nos arredores. Qualquer sentimento diferente me chama que volto voando…

Bairro central, alguns mendigo, alguns bares, alguns puteiros. A criatura podia estar ou ser qualquer um. Por sorte, a última vez que estive com Julie ela me ensinou um ritual simples, que podia ser feito com meu próprio sangue, alguns dizeres e se houvesse algum diabólico por perto ele ficaria evidente em minha visão. Algo como uma aura diferenciada.

Estacionei a moto umas duas quadras da casa do R, havia um boteco por ali. Alguns perdidos na entrada e vários outros em mesas ou no balcão. Umas 20 ou 30 pessoas que me olharam assim que entrei. Aproximei-me do balcão onde perguntei ao barman se ele tinha notado alguém ou algo diferente pela região.

– Fora você. Não sei, cara!

– Tá e se eu te falar que sou investigador – Mostrei minha carteira.

– Calma, cara! Não quero problemas no meu bar… Esses dias ouvi falar que tentaram arrombar uma casa aqui perto, sabe qual?

– Não, cara! Só boatos entre os vizinhos…

– Joia, valeu!

Ia saindo quando senti uma presença, olhei par ao lado e lá estava uma garota com a aura diferenciada. Difícil de explicar a aparência dela diante o feitiço, mas seria algo próximo daquela distorção da superfície dos objetos quentes.

Fui pra sua direção, ela também percebeu minha presença e não foi amistosa. Saiu correndo tão logo parei de falar com barman. Como estava num local público eu não pode usar nenhum poder e quando cheguei do lado de fora ela já havia sumido novamente. Ao menos naquela noite não monitoramos nenhuma nova morte.

A continuação está aqui: https://www.vampir.com.br/os-sobrenaturais-que-circulam-por-ai/

5 comentários

  1. Mds, a cena que vc descreveu entrando no bar me fez lembrar de cenas de filmes de faroeste, gostei.

    Pelo menos vc conseguiu evitar mais uma morte.

  2. Os contos salvando nossos dias de quarentena! HAHAHA’

    Os próximos capítulos são importantes para sanidade mental neste tempo clausura.

  3. Vdd, porém demoram mt para serem postados, mas cada história incrível faz valer a pena pela espera!

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