Tag: sangue

  • Morte versus amor:  Aviso!

    Morte versus amor: Aviso!

    Hoje a minha querida Beth estão fora de casa e irá ficar por pelo menos um tempo até que sua família fique bem.  O tio da Beth foi acometido por um câncer há uns cinco anos, conseguiu se recuperar, fez transplante de rins, mas desde quinta passada acabou entrando em coma em função de uma pneumonia. Esta pneumonia foi muito cruel e o levou ao falecimento ontem pela manhã.

    É um momento de dor para toda a família da Beth e me dói muito não poder estar perto dela para lhe confortar, haja vista que ele lhe era praticamente um pai.

    A morte já é minha parceira a muitos anos, confesso que as vezes acho que já me acostumei com essa parceria. No entanto, é nesses momentos em que a dona morte rompe o amor entre as pessoas que eu vejo como ela pode ser cruel, com todos sem exceção.

    Outro dia inclusive me perguntaram se um dia eu transformaria a Beth. Já pensei nisso, mas é algo extremamente complexo, afinal eu seria como a morte e romperia novamente o fluxo normal da vida.

    Tem gente que acha que ser vampiro é fácil, mas sempre se esquece de que isso não é uma brincadeira de criança…

    Quem dera eu pudesse não me apaixonar, quem eu não tivesse de ser o carrasco que precisa escolher quem vive ou quem se vai. Quem dera um dia eu fosse mortal de novo…

    Odeio quem quer essa maldição pra si e não tenho piedade nenhuma em atacar quem não ama e valoriza sua própria vida. Fique atento, eu posso puxar muito mais que os teus pés a noite!

  • Depósitos de sangue

    Depósitos de sangue

    Estava tranquilo em casa vendo alguns e-mails, gravando um podcast com o som ligado e preparando uma jantinha leve para o meu amor. Acontece que ao longe o maldito perfume de plasma a precedeu a sua chegada. A medida que ela se aproximava do cômodo onde eu estava era nítido que havia acontecido alguma coisa. Abri a porta e ao longe ouço a descarga do banheiro. Falo:

    –       Boa noite amore tudo bem?

    Ela então responde com uma voz que deixa perceptível o seu cansaço entrelaçado com um sofrimento comedido:

    –       Oi bebê… Nossa quase que eu passo vergonha no ônibus…

    Antes que dela terminar o seu rito, me vêm a cabeça o que havia ocorrido. Mais que depressa sio de perto e vou para a varanda mudar os ares. Por mais que nossa respiração não seja automática igual aos humanos, nesse momento ela insiste em farejar o que havia sentido anteriormente… Maldito demônio sempre me surge nas horas mais inoportunas…

    Enquanto eu me acalmava, coisa rápida de uns 3 min ela me surge dando um abraço caloroso pelas costas e me fala.

    –       Nossa amor que dia… Ixe está nos teus dias de novo?

    –       Pois então, (respondo eu) estava tentando permanecer mais alguns dias sem ir atrás de comida, mas acho que vou ter de sair hoje. Os teus “dias” romperam minha rotina, melhor eu fazer algo para não termos nenhum contratempo.

    Cara que ódio que tenho de mim nessas horas. Que ódio que eu tenho quando ela me olha com aquela carinha de pena… Que ódio…

    Fiz algumas ligações e lá fui eu para um Riv`s. Riv`s é abreviação de Red River, alguns chama de bar outros de depósito, pra mim é um grande problema. Pois o local é mantido por uma máfia vampiresca. Um sub grupo de sanguessugas que tem contatos no submundo e que tem nesses lugares uma fonte de renda, para manter os seus negócios.

    O Riv`s mais perto de onde estamos fica a uns 20 min de moto e lá fui eu. Tendo em vista que é um local frequentado pela escória de nossa sociedade eu fui preparado da mesma forma como se estivesse indo a uma caçada.

    Paro a moto, desta vez a Harley em uma rua próxima e vou para o local a pé. Uma porta marrom enferrujada em meio a tantas outras oculta um mundo desconhecido a maioria dos transeuntes que alí passavam. Dou três batidas e logo ouço uma voz grave no interfone: “Quem?”.

    Respondo a senha e a porta é destrancada. Desço uma escadaria escura e ao final do corredor uma outra porta também de metal é aberta, mas esta é lenta e dá a vontade de empurrar.

    Espero que a porta se abra e o local vai ficando visível. Algumas mesas, um modesto palco com um pole dance. Alguns vampiros se misturam a alguns carniçais e humanos. Gente de todos tipo mas em sua maioria marginais. O local devia ter algo em torno de uns 100 indivíduos. Algumas garçonetes que mais pareciam putas de filme policial serviam as mesas e em um balcão duas meninas faziam o papel de barman. Aproximo-me do balcão e peço logo de cara o que eu queria:

    –       Sangue!

    Ela chama a outra menina do balcão e esta por sua vez me leva até um quarto. Neste quarto, longe do barulho da música alta ela me fala das opções:

    –       Gatinho, cê quer bolsa ou uma das garotas?

    Estava esquecendo de comentar que neste lugar acontece outro tipo de prostituição. Ali algumas pessoas vendem o seu próprio sangue aos que tiverem dinheiro para pagar. Confesso que isso é sempre uma proposta tentadora, mas eu resolvi ficar com as bolsas mesmo.

    Então a garota, sai e depois de alguns minutos volta com uma sacola térmica. Nela 4 bolsas de sangue, um copo e guardanapo vermelho de pano. Dou-lhe o dinheiro que deve ser em espécie e faço o meu desjejum.

    Quem bom seria se eu sempre pudesse fazer isso não é mesmo? O Problema é que o dinheiro que eu dei provavelmente vai financiar algum grande assalto, pode ser usado para armar gangues, para comprar drogas. Sem contar o fato de que um Riv nunca é um lugar seguro. Quase sempre são feitas batidas policiais, muitas histórias são contadas de caçadores e até peludos que invadiram esses lugares e não deixaram nada nem ninguém vivo…

    Por sorte volta para casa tranquilo e termino minha noite na cama tranquilo com a patroa. Ela saiu agora a pouco e resolvi escrever para não perder os detalhes de mais essa minha incursão no mundo oculto que existe por trás do que os humanos acham que é realidade.

  • Mulheres, tequila e sangue

    Mulheres, tequila e sangue

    Eu juro, mas eu juro que tento ser um cara tranquilo, por vezes tento esquecer que tenho poderes e que devo tentar ter uma vida pacata fazendo coisas normais, mas ontem foi mais daqueles dias que fui obrigado a me alimentar.

    Atualmente como alguns sabem eu vivo com minha noiva, rodando pelo mundo sem ter um lugar fixo. Nós já tentamos viver pacatamente em uma casinha no campo, mas ela foi invadida e nos últimos meses precisamos cair na estrada.

    Acontece que sou um vampiro e como tal preciso de tempos em tempos me alimentar de sangue principalmente humano para não enlouquecer ou fazer barbaridades deixando meu demônio aflorar. Até que esse meu martírio tem levado mais tempo para me atazanar, mas a cada 3 semanas, com uns dias a mais ou a menos eu preciso me nutrir.

    Desta vez infelizmente não encontrei nenhum meliante, meu manjar predileto, então tive de recorrer às pessoas normais. Isso me deixa sempre ruim, pois é mais complicado, afinal preciso “mexer” na vida de uma pessoa justa, trabalhadora e quase sempre pertencente a uma família. Sem contar o fato de que terei de ir a um lugar público e possivelmente flertar.

    Nessas ocasiões procuro lugares com grandes aglomerados de pessoas e que tenham pouca iluminação, tal qual as casa noturnas ou as populares “baladas”. Obviamente vou sozinho a Beth até já quis me acompanhar mas sempre argumento que é mais seguro para ela ficar em casa, afinal se algo der errado terei mais uma coisa para me preocupar além, dos seguranças, da polícia, caçadores, bruxas, metamorfos, anjos, demônios…

    Nesta última noite de quinta para sexta, resolvi ir a uma casa de shows, dessa em que algumas mulheres fazem strip-tease e homens gastam fortunas com bebidas e sexo. Esse é sempre um ótimo lugar para encontrar bêbados que mal conseguem se manter sentados.

    Aproveitei que a noite estava limpa sem ameaça de chuva e botei a moto na estrada. Sei que já falei disso, mas andar de moto para mim tem o mesmo efeito de um calmante para um humano e sempre faço isso para dar uma boa relaxada pondo as ideias em ordem.

    O local ficava bem no centro mas as 3 da manhã foi fácil estacionar, paguei a pequena taxa de R$200,00 e adentrei o recinto. Quem já foi nesses lugares sabe que logo na entrada tu já viras alvo das periguetes, elas vêm pra cima se esfregando, nos empurrando gentilmente para uma mesa e praticamente nos obrigando a consumir algo: Bebidas ou elas mesmas.

    Como eu havia recém chegado e não conhecia o lugar me acomodei e disse para a menina que por enquanto iria apenas ver o show. Era noite da tequila, então entre algumas meninas trajando apenas sombreiros e com garrafas de tequila nas mãos eu percebi um grupinho de homens felizes engravatados. Nessas horas alguns já estavam com as gravatas na testa, outros estavam abraçados quase caindo no colo de algumas biscates e um deles me chamou atenção pela grande aliança dourada na mãe esquerda.

    Por mais que o cara não fosse um ladrão, bandido ou assassino, aquela traição me fez brilhar os olhos. Então o fitei por alguns instantes e percebi na sua ida ao banheiro uma chance de me alimentar. Observei a atentamente a minha volta, havia muitos seguranças e várias câmeras, mas o segui mesmo assim. Quando entrei no banheiro vi o cidadão em um dos mictórios e lavei as mãos em uma das pias para disfarçar. Aguardei ele se aproximar percebi que já estava meio tonto e puxei assunto:
    – Cara só gostosa aqui hoje…

    Ele começou a lavar as mãos, olhou meio de lado pra mim, levantou uma das sobrancelhas e comentou:
    – Pow veio já to meio doido, mas cê não é daqui ne? Pow cara ta usando maquiagem…

    E veio tentando colocar o dedo na minha cara. Nesse momento tive de agir rápido para não levantar suspeitas para quem estivesse vendo pela câmera e dei um passo para trás dizendo bravo:
    – Hei bicho, tá louco, tá me estranhando?

    Com a minha saída brusca para trás ele perdeu o apoio quase caiu e bateu forte com a mão em uma quina da pia. Com o impacto abriu um pequeno corte que logo corou e fez surgir o precioso líquido. Imediatamente senti minhas presas começarem a aflorar e precisei me conter. Peguei um pouco de papel higiênico, coloquei na mão do cara e disse para ele segurar apertado. Em seguida sai e voltei para mima mesa.

    Permaneci ali por mais alguns minutos, o cara do banheiro voltou para junto de seus amigos e depois de meia hora resolveram ir embora. Cheguei até a olhar em volta em busca de alguma presa fácil mas resolvi segui o mesmo Zé Mané.

    Eles saíram se despediram e cada um foi para o seu carro. Pensei então comigo: o cara já ta traindo a esposa e ainda é capaz de causar algum acidente, não é que consegui um lanche bom no fim das contas?

    Segui-o de moto por alguns minutos e quando parou em um sinal encostei do seu lado e lhe apliquei um anestésico em seu braço que estava para fora da janela. Depois de alguns segundos ele até tentou esboçar uma reação, mas não resistiu e sucumbiu em uma perfeita letargia. Encostei a moto na calçada, fui até o carro e quando ia abrir a porta vejo os faróis de um carro se aproximando. Ao passar perto vejo um casal dentro que me olham, abrem um pouco a janela e a mulher me pergunta:
    – Tudo bem?

    Eu finjo um sorrisinho de lado e digo:
    – Tudo certo minha querida, só to ajudando meu amigo que bebeu demais. Sou o motorista da rodada, fazer o que rsss.

    Ela riu, fechou o vidro e fez sinal para o namorado sair. Então eu mais que prontamente, empurrei o cara para o banco do carona, olhei em volta e estacionei perto de uma garagem, como havia película nos vidros, decidi me alimentar ali mesmo. Suguei apenas o necessário, sem o matar, lambi a ferida para cicatrizar e o deixei ali. Inclusive fui muito legal ligando para polícia informando o seu estado. Quando era quase 5 horas eu já estava em casa contando a história para a patroa…

  • Acho que ví um gatinho!

    Acho que ví um gatinho!

    Depois que descobri na sexta que dois seres haviam sido responsáveis pela morte do meu irmão Zé eu vago sozinho pelas noites em busca de pistas que me levem aos culpados. Como são seres “especiais” é sempre mais difícil encontrar pistas, no entanto, as buscas sempre começam no mesmo lugar: A cena do crime.

    Voltei pela terceira vez ao local onde o Zé foi morto, era um apartamento em um bairro simples de periferia. Na sala um sofá simples com alguns aranhões e de frente para uma tv antiga. Na modesta cozinha havia alguns poucos utensílios domésticos e uma caixa de pizza vazia sobre a pia. A geladeira ainda estava ligada e guardava o que parecia ser os restos de um pouco de sangue em uma garrafa pet de 2 litros. Já no quarto que ele foi morto o cheiro estava forte, todo aquele sangue que havia ao chão perto de suas cinzas já havia coagulado e era consumido por alguns insetos. A cama, o criado mudo e o guarda roupas estavam estranhamente vazios e com algumas partes quebradas e aranhadas. No outro quarto nada além de alguns fios de tv a cabo e telefone pelo chão.

    Já meio puto, resolvi ir ao último cômodo, o banheiro. Não havia box, apenas um vazo sanitário e uma pia sem armário. Estranhamente era o local mais limpo do ap, fato que de início não me chamou muita atenção. Desolado por não achar nada me sentei então ao chão, foi quando senti a presença de um ser vivo muito fraca e com aspectos sobrenaturais. Olhei detalhadamente em volta e ao me levantar deparei com uma tampa no teto entre aberta e também com alguns arranhões. Empurrei-a de leve, subi no vazo e à medida que colocava a cabeça para dentro eu sentia a presença ficando mais próxima. Antes que eu pudesse ver qualquer coisa, levo uma arranhada na bochecha e ouço aquele clássico “ashhhhshiiiiii” que os felinos fazem.

    Felizmente era um velho conhecido: Oliver, um dos assistentes do Zé. Um velho gato vermelho e rabugento, mas amigo e de extrema importância para a solução do crime.

    – Desculpe Galego, não ví que era você…

    Ele continuou falando enquanto pulava do forro do teto e andava meio cambaleando em direção ao quarto do crime.

    – Que bom que você voltou para cá, eu ainda estou me recuperando dos ferimentos. Antes que eu morresse junto do mestre ele me jogou longe e consegui me esconder por aqui. Foi tudo muito rápido… Cara não to bem…

    O coitado se esforçou para me dizer algo, mas acabou desmaiando de fraqueza. Levei-o então para minha casa e aqui o deixei de repouso aos cuidados da Beth. Até lhe dei um pouco do meu sangue para que se recuperasse mais rápido, mas ainda estou esperando ele acordar.

    Vocês não tem ideia de como fiquei feliz reencontra-lo, acho que finalmente vou descobrir quem foi o culpado por tudo isso.

  • A morte do meu irmão Zé

    A morte do meu irmão Zé

    Certa vez me disseram que a única certeza que todos têm é de que um dia a morte chegará, no entanto isso com certeza não é perseguido por ninguém.

    Hoje é uma noite parecida com muitas pelo qual já passei. Não nego que cada vez que ocorre o que acabo de ver sinto-me mais fraco diante de tudo, pois é uma situação que poderia ocorrer a qualquer um independente de ser alguém com poderes ou não.

    Antes que eu comece a me perder em tantos assuntos como faço sempre, eu quero deixar registrado aqui um momento foda. Sei que isso é uma palavra digamos feia, mas é necessária para exemplificar a situação.

    Zé era um apelido carinhoso para o meu destemido irmão, um ser iluminado que possuía amigos em todos os lugares e sempre estava disposto a te dar uma mão no que fosse preciso. Não importava se tu ligavas para ele de dia ou à noite, pois ele sempre estava pronto a te ouvir.

    Quando nos falamos pela última vez foi algo rápido, uns 15 min no celular, mas o suficiente para ganhar força para continuar no meu caminho. Afinal minha casa havia sido invadida e eu precisava de algo que me motivasse a continuar mais uma vez.

    A dor que senti nas últimas noites é complicada de explicar. Perder alguém que conhecemos tão proximamente, mais de 200 anos como é o caso do Zé, é difícil. Dizem que os amigos são nossa segunda família. Eu discordo, acho que fazem parte da primeira junto com os parentes de sangue.

    Eu não iria revelar os próximos trechos, mas eles irão ser mostrados como um paciente que libera o seu inconsciente ao psicólogo.

    Duas noites depois a que eu fui fazer uma visita ao meu amigo e deixar a sua encomenda eu recebo um telefonema de um amigo em comum trazendo o pesadelo:

    – Galego, o nosso amigo Zé não está mais entre nós.

    Sabe quando se tropeça, leva um choque ou se queima? A minha sensação foi similar e fiquei estático e atordoado. No começo não acreditei e até acho que senti algumas lágrimas psicológicas inflamarem o meu rosto. Se eu não tivesse alimentado é bem provável que deixaria o meu demônio aflorar.

    Apesar disso, recolhi o ódio em alguma parte do que ainda resta da minha humanidade e fui até a casa do pobre vampiro.

    Lá chegando, minha visão foi poluída com muitas coisas quebradas, alguns filhotes estavam mortos jogados em um canto e uma grande poça de sangue guardava o que pareciam ser as cinzas de algo que foi queimado. Ao tocar o sangue, senti um aperto na cabeça e uma breve tontura indicava que aquilo eram os restos de quem eu não queriam que fossem.

    Hoje depois de algum tempo eu retomo uma situação vivida há vários anos chamada vingança!

    Não sei o que vou encontrar ou por onde estarei apenas sei que preciso descobrir o que levou meu irmão. Talvez eu não aguente mais uma dessas, mas minha mente só irá sossegar quando tudo for resolvido.

  • Sangue de animais na dieta vampírica

    Sangue de animais na dieta vampírica

    São apenas 19:15 e eu acabo de chegar em casa, recém tinha escurecido e eu fui em busca de alimentação. Procurei nos contatos por bolsas de sangue, mas como sempre nada disponível. O pior é que meus contatos são muito bons, aliás, hoje é fácil conseguir praticamente de tudo, não acham? Basta se fazer de louco ou manter um estilo mais excêntrico, tendo dinheiro é o que importa para ninguém desconfiar e ficar na sua.

    Nestes dias de seca, podemos arriscar a ficar mais um tempo sem sangue, ou sair à luta. Neste contexto vocês sempre leem minhas histórias de combate ao crime em que aproveito para me alimentar, mas isso são ocasiões impares. Apesar dos poderes e da vida eterna não é sensato sair por ai feito um inconsequente. Até mesmo um renegado das tradições como eu teme as punições superiores e acima de tudo a morte final.

    Fazer o que então? Restam algumas opções, sendo a mais usual aquela no qual se recorre aos nossos queridos animais. Ontem mesmo me perguntaram se eu não conseguiria me alimentar apenas com o sangue deles e eu disse:

    – Tu já tentaste beber sangue de algum animal com o mesmo tamanho de um humano?

    Não é uma questão fácil, por mais que eu tenha o dom de falar com eles, isso não adianta de nada quando o assunto é o sangue próprio. Desta forma e já que ainda não tive paciência para aprender o dom de dominar as vontades animalescas, o negócio é partir para a força bruta, algo que tenho de sobra.

    Aqui na região é fácil encontrar pequenas propriedades que contenham bois, vacas, cavalos e até avestruzes. Fato que permite uma alimentação tranquila, salvo alguns aspectos que devem ser bem analisados como horários, tipo de animal e ambiente.

    Ates de continuar com o lance dos animais eu queria lembrar que muitos vampiros preferem se alimentarem de prostitutas, mendigos, doentes e até mesmo cadáveres. No entanto como vocês sabem eu tenho um gosto mais apurado…

    O jeito mais fácil que encontrei até o momento para se alimentar de animais de grande porte sem maiores inconvenientes é comprando uma espécie de anestesia vendia em farmácia. Basta se aproximar do animal, injetar uma dose pequena e esperar até que ele fique sonolento. Depois disso retiramos com as próprias presas um ou dois litros de sangue e lambemos a ferida para cicatrizar. Depois de algumas horas o animal volta ao normal e sem qualquer sequela.

    Ok, por que não fazer isso sempre? Primeiro por que o sangue deles é mais fraco, no geral esses animais grandes são herbívoros e não possuem tudo o que necessitamos e segundo por que entra a velha história da maldição vampírica. Somos predadores de humanos e se ficarmos muito tempo sem nos alimentarmos deles começamos a perder o controle se aproximando cada vez mais de nossos demônios. O que pode ocorrer quando um sanguessuga é consumido pelo seu demônio? Isso já é outra história…

  • Como os vampiros dormem?

    No ano de 1951 a vontade de ficar um tempo fora do mundo era tanta, que ter de esperar Eleonor acordar para ficar em meu lugar, não era uma opção. Infelizmente, era preciso esperar, pois era ela que cuidaria das coisas da família enquanto eu e os outros estivéssemos fora daqui.

    Era perto de abril quando meu tio e eu fomos para a “fazenda” da família, um local tido como refugio nas horas incertas e local das nossas “camas”. O local além de todas as proteções de praxe também possui proteção mágica, feita por um bruxo muito amigo do barão.

    Depois de muitas entre – salas chegamos a uma câmara escura, sem luzes, sem janelas e apenas com quatro tampas quadradas cheias de poeira por cima. Foi na terceira tampa que o barão se abaixou, soprou forte fazendo levantar a poeira que cobria um pequeno orifício no qual ele colocou o seu dedo indicador. Nunca vou esquecer do giro para esquerda, da puxada firme e do destravamento da tampa…

    Uma das paredes desceu como se fosse uma ponte elevadiça e a frente estava uma caixa grande o suficiente para caber uma pessoa dentro. O barão então me disse:

    – Chegou o momento do seu descanso meu filho, daqui 50 anos vamos nos ver novamente, caso isso não se realize saiba que continuo achando um erro tu ir para alí antes do combinado. De qualquer forma mantenho feita a promessa que te fiz… Trouxe as correntes que eu te pedi e aquela adaga?

    Meu foco no momento era o descanso, eu queria um pouco de paz depois de tantas mortes, sangue e situações pelo qual já tinha passado:

    – Sim meu senhor está tudo aqui!

    Abrimos a tampa do túmulo, e dentro havia apenas terra. Deitei-me em cima da terra e meu tio me amarrou com as correntes sobre alguns suportes da caixa. Depois de algumas palavras ele jogou uma espécie de pó branco sobre meus pés e cravou a faca em meu peito, certeiro no coração. Lembro apenas de alguns flashes, mas a dor não era tanta se comparada a de outros tipos de ferimento, sendo que o pior de tudo nem era isso e eu estava paralisado. Alguns minutos se passaram e fui sugado para dentro da terra… ficou tudo escuro… Dormi?

    Olá, quem são vocês?…

  • Quiseram assaltar o vampiro

    Tem dias que eu paro e penso: Porra será que eu atraio bandido ou foi minha visão que se ampliou e está treinada quando o assunto são os vagabundos? Prefiro achar que minha visão está treinada, por que ninguém merece atrair tanto mala assim.

    Hoje eu acordei cedo, o dia terminou com uma baita chuva, esta que, aliás, começou enquanto eu dava uma pequena volta de moto pelo centro da capital. Sabe aqueles dias em que tu ligas o foda-se e sai por ai sem rumo, então era esse o meu objetivo. Na verdade foi uma péssima idéia por que Floripa nesses dias vira o caos, horário de pico com todo mundo saindo do trabalho perto das 19 e chuva, ou seja, o circo estava pronto e tudo indicava que ia dar merda para o palhaço aqui…

    Eu ali na moto esperando o sinal abrir quando me deparo com um Celta preto com 4 indivíduos, tudo bem, se não fosse um deles abrir a porta traseira e apontar uma Magnun 44 cromada para uma mulher que passava correndo. No susto ela jogou a bolsa pra ele e continuou correndo. Estranho, será que foi assalto? Pensei comigo, mas continuei ali de “butuca”. Até que correndo de baixo do toró vinha um velhinho com uma capanga (carteira grande coisa de velho) e um guarda-chuva. Novamente o cara abriu a porta mostrou a arma, murmurou algo e raptou mais uma carteira.

    Nessa altura do campeonato a rua já estava alagada e eu tive de parar a possante na calçada um pouco a frente do carro e lá era um alvo fácil. Moto importada e sozinho uma isca perfeita! Foi só esperar e não demorou muito para o Celta parar na minha frente. Um dos caras abaixou o vidro pediu que horas eram, fiz uma expressão feliz e disse hora de tu levar pau seu filho da puta… Dei um soco nele que ficou meio norteado e antes do motorista arrancar, chutei o vidro da porta de cima para baixo com minha bota. Nesse momento os outros dois abriram suas portas e saíram correndo, como estava em público e não podia usar poderes sai atrás deles na corrida. Bummm… dei uma voadeira nas costas do infeliz, que caiu bateu a cabeça e ficou inconsciente. Arrastei-o até o carro, subi na moto e fui atrás do último.

    Droga sirenes é impressionante como a policia sempre chega na hora errada! O cheiro de medo estava no ar… Cerrei os olhos por um instante e não foi difícil sentir o cara bem próximo. Era a esquina de um prédio em construção, do outro lado uma padaria, do outro uma casa de muros altos e na frente um terreno baldio. Há há há lá estava ele no mato. Estacionei a moto calmamente, olhei para os lados e para o prédio para ver se ninguém estava me observando e pulei no mato. Escuridão total, temporal, foi fácil passar despercebido. Enfim, pulei no mato e fui surpreendido com dois tiros, um pegou no braço esquerdo e outro na coxa direita. Merda, nesse momento eu fiquei puto, saltei em cima do malaco e quebrei seu pescoço como se fosse o de uma galinha. Merda merda merda… Respirei fundo e me acalmei, o calor das malditas balas ia esfriando dentro da pele, mas tive que arrancá-las com os dedos mesmo e isso dói. Alá, Rambo mordi um pedaço de pano para não gritar e as tirei, caralho vocês não imaginam como a porra de uma bala dói.

    E ainda tinha o corpo do infeliz, bom essa é a parte que mais gosto. Cavei uma cova com as mãos mesmo e o enterrei por ali… Maldito apodreça no inferno…

    Tudo isso ocorreu em 22 minutos no meu início de noite entre as 19 e 20 horas, ou seja, ainda sinto um pouco de incômodo onde levei os tiros, mas a cicatriz já se fechou. Claro que estou longe de Floripa e vou ficar um bom tempo sem ir para lá. De qualquer forma ainda estou na estrada e parado em um posto, não chove mais, mas já estou quase em casa…

  • Morte a sangue frio!

    Morte a sangue frio!

    Era sábado à noite, o clima variava entre uma fina garoa e momentos onde até mesmo era possível ver algumas estrelas no céu. Minha fome era tanta que se eu visse qualquer casquinha de ferida atacava sem piedade. Apesar disso, eu sempre tento manter o controle e evito ao máximo ficar sem o bendito sangue nas minhas veias… Antes que alguém pergunte: Por que tu não experimentas outros tipos de alimentos “normais”? Eu respondo: Já tentei, mas é sempre a mesma situação… Náuseas, seguidas de vômitos…

    Ouvidos e olhos atentos, o pensamento só tinha um foco: “Preciso achar algum vagabundo dando sopa”. Tem noites que é difícil achar alguém cometendo um crime, mesmo para alguém que tenha experiência com o submundo. Como o tempo passava rápido, resolvi ir para os becos, pois sempre tem um playboy que deixa o carro dando sopa, facilitando a ação dos marginais. Dito e feito, lá estava o carro com películas escuras, meio velho e sujo, mas com um suspeito rondando a sua volta. Eu estava a um quarteirão de distância, na sombra de uma árvore, mas era possível ver toda a ação do “malaco”.

    No momento que precede a ação, eles sempre agem da mesma forma, rondam os veículos estacionados, dão uma volta por perto, olham os prédios e casas, olham dentro dos veículos e arrumam uma forma de abrir. Alguns são espertos, agem silenciosamente como bons cirurgiões, tem sua pequena bolsa com ferramentas e a poderosa “micha”. No entanto a grande maioria age na brutalidade. Prefiro estes últimos, pois a adrenalina acrescenta um sabor especial ao sangue, mas os “cirurgiões” também atiçam minhas papilas gustativas com seus métodos especializados e sua frieza…

    Porta aberta – DVD player – Porta fechada – Corrida… Lambi meus lábios – Salivei – Liguei a moto e fui atrás dele, mas o que parecia fácil foi dificultado por um maldito ônibus que surgiu do nada, só deu tempo para escorregar a moto rapidamente de lado equilibrando-se e a encostando sem desligar na calçada. Na sequência o delinquente me viu e continuou- correndo. A situação já tinha passado dos limites e resolvi atacar rápido antes que aquilo virasse um circo… Aproximei-me o mais rápido que pude do infeliz, e com um chute o empurrei contra uma esquina escura. Antes que ele pudesse produzir qualquer reação grudei minhas presas na sua jugular, que jogou muito sangue contra minha garganta, seca, até então.

    Bebi tudo o que podia e antes de ouvir o seu suspiro final, furei os seus dois olhos com as unhas dos dedos da mão direita, algo que aprendi com certo serial killer. O corpo? Joguei ao mar amarrado a algumas pedras…

    Direitos humanos? Eles por acaso pagam os prejuízos materiais e psicológicos das vítimas? Eu também não, mas pelo menos sacio as minhas necessidades com os “pesos mortos” da sociedade.

  • Erzsébet Bathory. Vampira ou Psicopata?

    Erzsébet Bathory. Vampira ou Psicopata?

    Boa noite seres que me lêem, estava por ai conversando com meus amigos, sim um vampiro pode ter amigos, até que um deles o Philip me mostrou um artigo que havia produzido sobre a madame Erzsébet Bathory… Uma condessa “sapeca” que viveu um tempo atrás e deixou muitas lendas a e curiosidades a seu respeito:

    “Erzsébet Bathory. Vampira ou Psicopata?

    Erzsébet Bathory. Condessa Drácula, ou seja, lá como queiram chamá-la. Viveu onde hoje é República Eslovaca, responsável por criação de técnicas de torturas cruéis e mortes violentas, nobre até o fio de cabelo e casada com um dos mais celebres condes da época.

    O número de mortos por suas mãos? Nada que não há coloque na lista das maiores assassinas da história, tente adivinhar? Não realmente você nem chegou perto, 650. Isso mesmo 650 mortes pela sua mão, leve em consideração 650 pessoas mortas, é realmente obscuro.

    E para você ter uma idéia a mesma matava suas criadas, em algumas ocasiões boatos narravam que a mesma drenava o sangue de suas vitimas para poder se banhar nele depois. Cruel? Não… Nada que não a coloque junto com o seu primo no livro dos recordes por assassinatos cruéis. Isso mesmo, o Vlad tão conhecido por se tornar inspiração para o livro conde Drácula era primo de tal condessa, daí surge o nome condessa Drácula.

    Daí surge à questão de quem realmente era a bela Erzsébet Bathory? Somente mais uma nobre sadista ou uma vampira? Bela realmente ela era, documentos falam da mesma como uma das mulheres mais belas da época, se era imortal? Não, morreu alguns anos depois de ser condenada a ficar trancada no seu próprio castelo sem ver a luz do sol e sem praticar suas brincadeirinhas um tanto que violentas.

    Psicopata? Talvez, mais nada me leva a crer que ela fosse realmente louca, seus assassinatos foram responsáveis por seus títulos, se foi vampira ou não hoje já não importa o que ela deixou para traz foi apenas uma herança e seu ícone de maior vampira da história.

    Philip”

  • Malditos Caçadores de Vampiro

    Malditos Caçadores de Vampiro

    Caramba fui reler o que eu havia escrito na madrugada se sábado passado… Poxa peço desculpas, pois às vezes me passo… É a velha história das nossas bestas interiores que afloram em alguns momentos tal qual na alimentação por exemplo.

    Sobretudo hoje quero falar um pouco dos humanos, não dos humanos legais, esses que por ventura leem o meu blog e até comentam. Quero falar dos malditos caçadores de vampiros.

    Caçadores de vampiros no geral são muito pentelhos, sempre tem um carinha que se acha o tal e é metido a conhecedor dos mistérios da vida. Já repararam que em todo filme ou livro sobre nos sempre tem um cara que tenta procurar sentido em tudo? Eles nem se tocam que existem coisas sem sentido…

    Imagina tu acordar e dar de cara com alguém querendo por fogo na sua casa ou querendo te perfurar com uma estaca… Pow o cara nem te conhece e já quer te matar… Por que ele não vai ajudar as criancinhas que passam fome ou por que não vai proteger a Amazônia?

    Eu já tenho muito trabalho sobrevivendo contra Lobisomens, bruxas, magos e outros vampiros, se tiver que me preocupar com pentelhos em meu quintal vou ter que dar uma de “Malvadão” e sair matando geral como muitos vampiros fizeram varias épocas atrás…

    Nenhum de nos escolhe nosso fim, mas o meu com certeza não vai ser na mão de nenhum maldito caçador… Muitos caçadores humanos se aliam a seres místicos pensando que os vampiros são o mau… Minhas crianças, eu já disse que isso de bem e mal não existe…

    Caçadores geralmente atacam com água benta, balas de prata… baboseiras… Enquanto não arrancar a cabeça de um de nós nada adiantará… Ahh afaste bem a cabeça por pelo menos uns 60min, é o tempo médio que um vampiro dura longe de seu coração… tente arrancar nosso coração também deve resolver… Bla bla bla um dia todos saberiam isso mesmo, afinal cada vez mais as informações se propagam…
    Vampiros uni-vos… não estamos perto do fim isso tudo é apenas o inicio… aqui é o Início…

  • Beber sangue?

    Beber sangue?

    Shiii, fique calma minha doce criança, não se mexa… Eu apenas farei carinho em sua pele lisa… Humm, eu já disse como o seu sangue é bom? Quer experimentar? Prove um pouco, você também vai gostar…
    Eu sabia que irias gostar…
    O sangue é como um bom vinho tinto seco e velho, um bom vinho que foi envelhecido por no máximo 25 anos…
    Não não… espere deite-se aqui comigo… deite sua cabeça cansada sobre o meu peito, quer carinho?
    Eu adoro essa seu lingerie, preta, adoro o contraste dela com essa sua pele roseada…
    Onde mesmo que nos encontramos? Era perto daquele bar que todos da cidade vão quando querem encontrar alguém, não é mesmo? Quando a vi ao longe percebi que seu olhar era diferente, senti que algo no fundo de sua alma dizia que você queria algo que não se encontra nos mesmos lugares de sempre… Esbarramos-nos por eu querer, nossos olhos se encontraram de novo e foi quando eu te disse: “Não importa se estamos longe ou se não nos conhecemos,
    nossos corações já estão unidos” Você sorriu, fez um charme… eu vi um sorriso no canto de sua boca… então eu me aproximei mais e falei em seu ouvido: “Möchten Sie zu trinken?”
    Foi o sotaque alemão…Será?
    Sabia que muitos animais brincam com sua comida antes de consumi-las por completo? Não não, não precisa se preocupar, hoje eu estou carente, quero mais que excitar minhas papilas gustativas.. quero mais que saciar minha sede bestial… quero você!